Fotos CMC – Texto Rosa Espanca
‘Fazer Sonhar – Teatro Experimental de Cascais 1965-2023’ é um trabalho de José Pedro Sousa e já se encontra disponível na Livraria Municipal de Cascais (Casa Sommer) e no Teatro Municipal Mirita Casimiro. Assim como em livrarias selecionadas em todo o país.
Num momento importante de transição para o Teatro Experimental de Cascais (TEC), devido à morte de um dos seus fundadores e diretores de sempre, Carlos Avilez, é publicado um livro que conta a história e reflete sobre o legado da mais antiga companhia de teatro na Europa em actividade. Fazer Sonhar – Teatro Experimental de Cascais 1965-2023 é um trabalho de José Pedro Sousa e a apresentação aconteceu, no passado mês de fevereiro, no Auditório Carlos Avilez, na Academia de Artes do Estoril.

A obra que levou muito anos a ser concluída e representou um criterioso trabalho de pesquisa e muitas horas de entrevistas aos protagonistas, retrata em detalhe a história da companhia e explica o papel determinante que desempenhou no mundo cultural e artístico em Portugal, tornando-se uma referência internacional.
O livro segue a jornada destes últimos 58 anos do TEC, desde a sua origem, os últimos anos da ditadura e como a Companhia se revolucionou após o 25 de Abril, promovendo digressões no estrangeiro e mudando do Teatro Gil Vicente, em Cascais, para o Teatro Municipal Mirita Casimiro, no Estoril, local a que ainda hoje chamam casa.
O TEC desenvolve desde 1965, uma atividade múltipla e variada, sendo uma das companhias de teatro, de maior longevidade a nível mundial. Interessados na procura e experimentação, apresentamos uma longa lista de autores clássicos e contemporâneos que permitem um trabalho rico e diversificado.
No reportório incluem-se autores como: O’Neill, Lorca, Yves Jamiaque, Racine, John Osborne, Schiller, Gombrowicz, Genet, Brecht, Molière, Aristófanes, Shakespeare, Büchner, Roberto Cossa, Ibsen, Tennessee Williams, entre muitos outros. Os autores portugueses também estão largamente representados no repertório do TEC. Nomes como António José da Silva, Gil Vicente, Torga, Miguel Rovisco, Santareno, Garrett, Camões, Alice Vieira, Jaime Rocha, Maria do Céu Ricardo, José Jorge Letria, Fernando Pessoa e Natália Correia, só para citar alguns deles.
Pelo TEC passaram os encenadores Victor Garcia, Artur Ramos, Rogério Paulo, Fernanda Lapa, Naum Alves de Sousa, Carlos J. Pessoa, Rogério de Carvalho e Jorge Listopad.
Colaboraram também artistas plásticos como Francisco Relógio, Almada Negreiros, Júlio Resende, Helena Reis, Fernando Alvarez, José Manuel Castanheira, Artur Bual, António Palolo, Graça Morais e compositores como Carlos Paredes,
António Vitorino de Almeida, Carlos Zíngaro e Luís Pedro Fonseca, para além de muitos atores, alguns estreando-se no TEC, como António Feio ou Mário Viegas por exemplo.
O Espaço Memória, aberto em Cascais desde 2004, onde se pode encontrar uma parte do espólio artístico importante da companhia e várias exposições temporárias.
O falecimento de Carlos Avilez, em 2023, grande mentor e encenador, cria neste momento da vida da Companhia, novos caminhos, responsabilidades e expectativas.


