Cascais: A Democracia em ação
Eleita Capital Europeia da Democracia 2026 por um júri de mais de 4.500 cidadãos europeus, Cascais afirma um modelo de governação onde participação, inovação cívica e compromisso comunitário transformam a democracia numa prática quotidiana.
A democracia raramente se manifesta em grandes discursos. Vive antes nos gestos pequenos, repetidos todos os dias, nas decisões partilhadas e na forma como uma comunidade escolhe participar na construção do seu próprio futuro. É nesse território — discreto, mas essencial — que Cascais acaba de conquistar um reconhecimento europeu.
O concelho foi eleito Capital Europeia da Democracia 2026, depois de um processo de avaliação exigente que envolveu um júri composto por mais de 4.500 cidadãos de toda a Europa. Mais do que um prémio institucional, trata-se do reconhecimento de um modelo de governação que coloca a participação pública no centro das decisões.
A distinção foi apresentada numa cerimónia realizada na Casa das Histórias Paula Rego, espaço simbólico onde política, cultura e cidadania se cruzaram para assinalar o momento.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, sublinhou que a distinção pertence, antes de tudo, à comunidade.
Segundo o autarca, o título resulta do trabalho diário de quem, no território, constrói políticas públicas em diálogo permanente com os cidadãos. Em Cascais, governar significa trabalhar com as pessoas e para as pessoas — uma ideia que tem orientado a estratégia municipal nos últimos anos.

Também Helfried Carl, cofundador e CEO da European Capital of Democracy, destacou o carácter excecional da escolha. Para o responsável, Cascais conseguiu convencer o júri graças aos seus projetos inovadores de participação cidadã e ao compromisso ativo na construção de uma cultura democrática mais robusta.
Esse percurso não surgiu de forma espontânea. Foi construído através de iniciativas concretas que têm vindo a aproximar cidadãos e decisões públicas. Projetos como Tutores de Cascais, Terras de Cascais, Plataforma Vida Cascais, Fundo AdaptCascais e as Conferências do Estoril tornaram-se exemplos de como a participação pode transformar políticas locais em soluções partilhadas.
Entre essas iniciativas, o Orçamento Participativo de Cascais, ativo desde 2011, tornou-se uma referência nacional. O programa foi distinguido pela Rede de Autarquias Participativas como a melhor prática de participação pública da última década.
Já o Orçamento Participativo Jovem ganhou projeção internacional através do programa URBACT, ao envolver novas gerações na definição de prioridades para o concelho — um exercício que transforma jovens cidadãos em participantes ativos da vida democrática.
A nova distinção junta-se a outros reconhecimentos recentes do percurso cívico do município. Em 2018, Cascais foi Capital Europeia da Juventude e, em 2024, tornou-se a primeira Capital Portuguesa do Voluntariado. Agora, em 2026, assume o papel de terceira Capital Europeia da Democracia.

Mas o título não se esgota na simbologia. Ao longo de 2026, o concelho vai receber um programa internacional dedicado à reflexão sobre o futuro da democracia. Entre os eventos previstos estão o ACT NOW Mayors’ Conference, os Innovation in Politics Awards, o encontro Truth, Lies and Democracy, o Art of Democracy — em parceria com a Fundação D. Luís I —, o NECE Festival dedicado à educação para a cidadania e uma nova edição das Conferências do Estoril.
No fundo, ser Capital Europeia da Democracia significa transformar o território num laboratório vivo de participação cívica — um espaço onde ideias circulam, experiências europeias se encontram e novas soluções podem ser testadas.

No encerramento da cerimónia, o eurodeputado Sebastião Bugalho deixou uma observação que resume o peso crescente do concelho no panorama político nacional. Segundo afirmou, sempre que surge a necessidade de escolher nomes para responsabilidades governativas ou internacionais, Cascais surge frequentemente como referência.
Talvez porque, mais do que um título, a democracia em Cascais se tornou uma prática quotidiana. Um exercício constante de participação, compromisso e construção coletiva.













