Na noite que marcou o arranque do Ageas Cooljazz, Gilberto Gil fez de Cascais a sua casa e a da sua família. Aos 86 anos, o mestre da música brasileira subiu ao palco do Hipódromo Manuel Possolo para celebrar uma vida inteira de canções, acompanhado por aqueles que melhor conhecem a sua história: os filhos e os netos.

Durante mais de duas horas, Cascais assistiu a um espetáculo onde a emoção falou tão alto como a música. Clássicos que atravessaram gerações ganharam uma nova dimensão quando passaram de voz em voz, dentro da própria família. Mais do que um concerto, um testemunho vivo de que a arte também se herda, se partilha e se reinventa.
Entre aplausos demorados, sorrisos cúmplices e momentos de grande intimidade musical, Gilberto Gil mostrou que o tempo pode mudar muitas coisas, mas não consegue apagar as canções que fazem parte da memória coletiva. Pelo contrário: dá-lhes novas camadas, novos significados e novas vozes.
Num festival que já habituou Cascais a receber alguns dos maiores nomes da música internacional, a atuação de Gilberto Gil ficará certamente entre aquelas que dificilmente se esquecem. Não apenas pela qualidade artística, mas pela rara oportunidade de assistir a três gerações da mesma família a partilharem o palco e a celebrarem um legado que continua bem vivo.
No final, ficou a sensação de que ninguém saiu exatamente da mesma forma que entrou. Uma noite em que a música deixa de ser apenas um espetáculo. Torna-se memória.