Uma reportagem Sekreta.pt sobre talento jovem, comunidade e tradição em Cascais
Entrar num ensaio da Sociedade Musical de Cascais é entrar numa casa com história e com futuro. Fundada em 1914, esta “casa” tem vindo, nos últimos anos, a afirmar uma tradição que já ninguém ignora: a criação anual de musicais que mobilizam a comunidade e enchem salas com aplausos consistentes.
Mas este ano há um desvio intencional e necessário.
Tudo começa com um grupo de cerca de 25 jovens. Energia em bruto, vontade de palco, mas pouca ou nenhuma experiência com um género muito específico: o Teatro de Revista. Para muitos deles, este universo era totalmente desconhecido. Nunca tinham assistido a um espetáculo deste tipo.
A resposta da Sociedade Musical de Cascais não foi teórica. Foi prática, como manda o verdadeiro espírito associativo.
Organizou-se uma ida a Lisboa. Ver, absorver, sentir. E o impacto foi imediato. O entusiasmo desses jovens não ficou pela plateia: trouxe-os de volta com uma decisão clara – fazer a sua própria Revista.
O resultado chama-se “Diz que é uma espécie de revista”.




A Sekreta.pt acompanhou de perto um ensaio, depois em espetáculo. E o que se vê não é apenas um exercício artístico. É um processo coletivo em construção. Vozes que se afinam, tempos que se ajustam, nervos que se transformam em presença.
Este espetáculo cruza linguagens e estilos: há teatro sério, há comédia, há musical, há revista. Um mosaico que permite a cada elemento encontrar o seu espaço e expor o seu talento. Mais do que um formato fechado, é uma plataforma de descoberta.
E isso sente-se. Sente-se no palco, onde os jovens não estão apenas a representar, estão a experimentar, a arriscar, a crescer. E sente-se fora dele, na forma como o público responde. A cada espetáculo, os aplausos não são apenas reconhecimento. São validação de um trabalho coletivo, feito dentro de uma estrutura associativa que continua a provar a sua relevância.




Porque é disso que se trata. Num tempo em que tanto se fala de individualismo, projetos como este mostram o contrário: que o associativismo continua a ser um espaço real de formação, de inclusão e de criação. Aqui, aprende-se fazendo. E cresce-se em conjunto.
Com autoria de Susana Mata Ribeiro e Vítor Mata, “Diz que é uma espécie de revista” confirma isso mesmo: é um desafio e é um sucesso.
E ainda pode ser visto no próximo sábado, dia 28 de março, em duas sessões: às 16h e às 21h.
Reservas através do número: 939 104 102.




